O verdadeiro custo da fofoca na gestão
- Higya Merlin

- há 19 minutos
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No universo da gestão, a fofoca é muito mais que um comportamento individual; ela é um sintoma de falhas na comunicação assertiva e na cultura organizacional. Enquanto o plano estratégico foca em metas, os 'ruídos de corredor' podem corroer o clima e a produtividade. Como pesquisadora e gestora, observo que a fofoca floresce onde falta clareza e onde a liderança falha em estabelecer dados e evidências como base para suas decisões.
Mais uma vez, aparece latente a comunicação organizacional, que deve ser pautada em fatos e voltada aos objetivos a serem alcançados. Não importam as preferências de cada pessoa, mas sim as suas competências e os resultados que apresentam. Outro ponto: para a deficiência em técnicas e comportamentos, existe o feedback. Falar pelas costas e alimentar boatos são atitudes de colaboradores com baixo desenvolvimento de competências socioemocionais.
E o líder nisso tudo? Duas situações são inadmissíveis a um líder: fazer fofoca e receber fofoca. É deplorável ver gestores que negligenciam a ética e o sigilo profissional, falando mal de colaboradores ou tomando decisões com base em "pessoalidades". É igualmente condenável receber a fofoca e levá-la em consideração em decisões organizacionais.
A fofoca morre quando chega aos ouvidos de um líder de verdade. Líder não age com base em achismos, líder age com base em dados, resultados e competências desempenhadas pelo colaborador. Líder dá feedback constante, faz gestão de conflitos e coloca como foco de atuação os objetivos da organização.
Ninguém é obrigado a gostar de outrem, mas, no ambiente organizacional, o respeito deve vir em primeiro lugar. Profissionalismo acima de tudo. Falar mal dos outros, dos colegas, do chefe, falar pelas costas, julgar o que foi feito ou não… Tudo isso também é atalho para a infelicidade pessoal.
Tem uma máxima da qual todos nós deveríamos nos lembrar antes de falar de alguém: quando “A” fala de “B”, sabe-se muito mais de “A" do que de “B”.
O fofoqueiro pode achar que está arrasando, mas, na verdade, está trabalhando contra si próprio. Líder que não bloqueia a fofoca negligencia a gestão de conflitos, permitindo que o clima organizacional se deteriore.
Pessoas precisam de informação! A falta de comunicação assertiva pode ser um estímulo à fofoca organizacional. Quando não sabem o que está acontecendo, os colaboradores começam a imaginar e a supor os mais variados cenários. E isso se prolifera no corredor, na hora do lanche, do cafezinho. Aliás, esses encontros deveriam ser produtivos, pois são momentos propícios para inspirações ou para arejar a mente e voltar às atividades com mais disposição.
Quem constrói esse clima bom? O líder imediato!
Mas, e se a fofoca começa na alta cúpula? Se isso ocorre, é sinal de que a organização tem esses atributos de valor e isso está na veia da sua cultura organizacional. Note que, por vezes, no plano estratégico oficial, os valores podem ser bem diferentes dos que realmente são praticados.
Se a fofoca faz parte da cultura da organização, o líder imediato deve, pelo menos, atuar no seu ambiente imediato, no seu setor, buscando um clima melhor para as pessoas com quem passa a maior parte do tempo.
Outra reflexão oportuna para fazer a si mesmo: meus valores combinam com os valores praticados pela organização? Posso promover alguma mudança? Estou disposto(a) a conviver com isso? O que vou fazer com essa situação?
Bloquear a fofoca não é apenas uma questão de etiqueta, é uma decisão de eficiência organizacional. Quando um líder estabelece o respeito e o profissionalismo como pilares inegociáveis, ele libera a energia da equipe para o que realmente importa: a inovação e o resultado.
Por experiência própria e pelos relatos de líderes que atendi em consultoria, interromper esse ciclo traz resultados incríveis, a começar pela paz pessoal, culminando em um clima de confiança mútua.
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